Você estuda. Você trabalha. Você
conversa com a família, sai com amigos. E, por algum motivo, não é aceitável
nessa tribo esquisitinha chamada “sociedade” que você demonstre seus
sentimentos. Por dentro, você está ruindo, aos pedaços, em desespero, ou se
remoendo de ódio por algo. Pode estar explodindo de felicidade, também. Mas o
dever é sempre o mesmo: manter sua máscara de pessoa sóbria intacta. Você não
pode chorar no meio da aula, inaceitável. Cara feia, no trabalho? Imagina!
Ficar na sua, quieto, por estar se sentindo mal: “Por que você se isola assim,
seu esquisito?”. Rir à toa, cantarolar sem motivo? “Ih, que pessoinha mais
esquisita”.
Sempre me dizem que é preciso
aprender a separar as coisas: o seu relacionamento é seu relacionamento, seu
trabalho é seu trabalho, seus estudos são seus estudos e seus problemas são
algo só seu. Mas, por acaso, quando vou dormir aos prantos à noite e acordo de
manhã para ir trabalhar, me tornei outra pessoa? Existe no corpo humano, por acaso,
um botão onde eu posso desligar minhas emoções e focar no que tenho que fazer
exibindo um sorriso colgate? Se existe, ainda não descobri onde fica. Eu, pelo
menos, não sei como virar outra pessoa de uma hora para a outra . Deve ser muito mais fácil para pessoas frias e sem emoção, se
é que esse tipo de pessoa realmente existe.
Blog-Crise dos Vinte e Tantos
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