E a cada novo “será”, algo se perde dentro da gente. Um pouquinho da
personalidade. Um pouquinho do senso de humor. Quase toda a coragem.
Como o dia tem 24 horas e em muitas delas o cérebro não tá ocupado com
algo importante, lá vamos nós nos questionarmos mais uma vez. Vira um
vício. Tudo vai se transformando em pura idealização.
E então, quando ele pergunta se tá tudo bem, a vontade é de dizer:
“Não, eu não estou bem. Não dormi direito noite passada porque você
saiu com ela. Eu sei disso porque sexta li vocês combinando no facebook.
Vi as fotos no sábado. Domingo eu disse que não pensaria nisso, que
começaria aquele livro, mas o personagem principal também me lembrou
você. Droga!” ou “Não, eu não estou bem porque você escuta aquela música
pensando nela e eu escuto pensando em você. E foi eu que te apresentei a
banda.” ou “Não, eu não estou bem porque você é
lindo-cheiroso-engraçado e está muito perto, mas não perto o
suficiente.”
E dizemos apenas:
“Sim, e você?”.
A bola de neve vai descendo ladeira a baixo e só aumentando. Não tem
como fugir de algo que tá dentro da gente mesmo, né? Então, só nos resta
assumir ou esquecer de vez. Falando assim parece que existem duas
opções distintas, mas ó, acho que a gente só consegue esquecer alguém de
vez quando chega no limite.
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