quarta-feira, 10 de julho de 2013

POESIA PURA

Era dançar sozinha, calçar as sapatilhas e sentir a  leveza. Era sentir a fisgada na perna e saber que então ali estava na posição certa. Pois acertar a coreografia doi mais do que se imagina. Me lembro de estar sentada no palco, pra mim então, imenso e cheio de coisas que eu nem sabia para que serviam. As poltronas vermelhas me encaravam como juizes, e eu me sentia mais confortavel olhando pra luz. Era um pais das maravilhas onde a Alice era invejosa e a rainha vermelhas fazia cocegas na gente com o bastão real. E minha nossa, como a minha professora tava linda, chamavam ela de primeira paquita, algo assim, e que todas queriam o cargo dela. Foi naquele dia que eu entendi o que significava dar um passo maior do que se consegue, ao colocar a sapatilha profissional e quase quebrar o pé. Me lembro do estudio de ensaio lindo cheio de espelhos, bem diferente da sala de aula da escola, e do professor que me escolheu para substituir uma das borboletas. E de ter imaginado, que aqueles painéis do fundo do palco, cheios de pinturas, tinham vida!

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